Seu olhar não demonstrava crueldade ativa, apenas uma indiferença profissional cultivada ao longo de anos lidando com tragédias semelhantes. Para ela, os trigêmeos eram apenas mais um caso, três números a mais em um sistema sobrecarregado que não tinha espaço para considerações sentimentais ou promessas feitas a um homem moribundo. "Eu entendo que é difícil, mas é assim que o sistema funciona", explicou ela, em tom didático e desprovido de empatia. "Temos protocolos a seguir e recursos limitados. Talvez eles possam ser reunidos no futuro, se alguma família se interessar em adotá-los."
Laya sentiu uma raiva crescente substituir parte da dor. Sua mão livre instintivamente alcançou o fragmento do medalhão que seu pai lhe dera, apertando-o com tanta força que as bordas irregulares marcaram sua palma. As palavras de Ivan ecoavam em sua mente com clareza cristalina. Prometa que vocês nunca se separarão. Não importa o que aconteça. Ela olhou para suas irmãs e viu o mesmo pensamento refletido em seus olhos. Naquele instante, sem precisar dizer uma palavra, as três tomaram uma decisão irrevogável.
"Quando?" perguntou Laya, tentando manter a voz firme e o rosto o mais neutro possível, disfarçando a determinação que crescia dentro dela. "Quando vamos? Quando isso vai acontecer?" A assistente social, alheia ao plano silencioso que começava a se formar entre as irmãs, olhou para o relógio com eficiência clínica. Sua expressão não revelava nenhuma compreensão da gravidade emocional da situação para as meninas à sua frente. Apenas o desejo de concluir mais uma tarefa em sua agenda sobrecarregada.
Ela fechou a pasta com um último clique e se levantou, alisando o blazer com movimentos precisos. “Os veículos já estão esperando para levá-las”, respondeu, caminhando em direção à porta. “Vou ligar para os motoristas. Fiquem aqui e não saiam do quarto. Já volto para buscá-las.” Assim que a porta se fechou atrás da assistente social, um silêncio pesado se abateu sobre o cômodo. As trigêmeas se entreolharam, sua comunicação transcendendo a necessidade de palavras.
Laya, a líder nata, pegou seu fragmento do medalhão e o ergueu. Saesabeleiris imediatamente fez o mesmo, as três peças brilhando sob a luz fria das lâmpadas fluorescentes. Uma lembrança tangível da promessa feita ao pai. "Vamos agora", sussurrou Laya, sua voz baixa, mas cheia de determinação. "Eles não vão nos separar, prometemos ao papai." Isabel, sempre a estrategista, já vasculhava o cômodo em busca de rotas de fuga. Seus olhos atentos logo avistaram uma pequena porta lateral que provavelmente dava para um banheiro.
Se houvesse uma janela lá dentro, talvez tivessem uma chance. Ela apertou a mão de Laya num gesto silencioso de concordância, sua mente já calculando possibilidades e riscos com uma maturidade além da sua idade. "Pela porta do banheiro", murmurou Isabel, assentindo discretamente. "Se houver uma janela, podemos sair. Temos que ser rápidas e silenciosas." Iris, embora geralmente a mais medrosa das três, agora demonstrava a mesma determinação nos olhos. A ideia de se separar das irmãs era mais aterrorizante do que qualquer perigo que pudessem enfrentar juntas.
Ela enxugou as lágrimas com firmeza, guardando cuidadosamente o fragmento do medalhão no bolso do vestido, certificando-se de que estaria seguro durante a fuga planejada. "Estou com medo, mas tenho ainda mais medo de perder vocês", confessou Iris, com a voz trêmula enquanto se preparava mentalmente para o que estava por vir. "Para onde iremos agora?" Não havia tempo para planejar além do momento presente. Com um gesto quase imperceptível, Laya fez um sinal para as irmãs, e as três se levantaram simultaneamente, movendo-se com a sincronia natural de quem compartilhava o mesmo espaço desde antes do nascimento.
Elas atravessaram a sala em silêncio, seus passos leves quase inaudíveis no linóleo gasto. Laya abriu cuidadosamente a porta lateral, revelando, como esperavam, um pequeno banheiro para funcionários. A janela basculante acima do vaso sanitário era estreita, mas larga o suficiente para que meninas de sete anos pudessem passar. Isabel, sempre prática, imediatamente abaixou a tampa do vaso e subiu em cima dela, testando se a janela abria. Para seu alívio, embora enferrujadas, as dobradiças cederam com um leve rangido.
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