O rugido da tempestade abafava o som das sirenes que ainda percorriam a cidade em busca dos trigêmeos desaparecidos. "Mesmo na escuridão, eu sei que estamos juntos", murmurou Iris em um sono inquieto, reagindo aos pesadelos que a atormentavam. "Eles não vão nos separar, não vão." Em outra parte da cidade, o Hospital San Mateo se erguia imponente contra o céu noturno, suas janelas iluminadas contrastando fortemente com a escuridão da tempestade. Diferentemente do hospital público de onde Iván havia saído horas antes, este era um estabelecimento luxuoso, com mármore no saguão e obras de arte nas paredes.
O silêncio respeitoso era quebrado apenas pelo suave toque dos telefones e pelos sussurros discretos da equipe impecavelmente uniformizada. No décimo andar, uma área reservada aos pacientes da elite da cidade, Marco Rodriguez aguardava sozinho em um escritório espaçoso, decorado com móveis de madeira maciça e diplomas emoldurados. "Sr. Rodriguez, o médico o atenderá agora", anunciou a secretária com eficiência profissional, segurando a porta aberta para ele. "Ele já tem todos os seus resultados." Marco entrou no escritório com passos firmes, a postura ereta, o terno impecável disfarçando a ansiedade que sentia.
Aos 45 anos, ele havia construído um império financeiro do zero, superando adversidades que teriam destruído homens menos determinados. Suas têmporas grisalhas eram o único sinal visível do tempo em seu rosto bem cuidado. O médico, um homem de meia-idade com expressão séria, levantou-se para cumprimentá-lo, mas não sorriu. Um sinal que Marco, acostumado a ler as pessoas, reconheceu imediatamente como um mau presságio. "Marco, por favor, sente-se", disse o médico, apontando para a cadeira de couro em frente à sua mesa.
“Tenho os resultados de todos os exames que fizemos esta semana.” “O consultório estava silencioso demais”, pensou Marco. Aquele tipo de silêncio pesado que precede notícias devastadoras. As paredes à prova de som garantiam privacidade, mas também amplificavam a sensação de isolamento. O médico, agora sentado atrás de sua imponente mesa de mogno, ajeitava os óculos enquanto organizava uma série de exames e radiografias. Sua eficiência clínica parecia quase cruel diante da tensão palpável no ar. “Vamos direto ao ponto, doutor.”
“Não sou de rodeios”, disse Marco. Sua voz era controlada, o mesmo tom que usava em reuniões de negócios importantes. “Quero saber exatamente o que tenho.” O médico respirou fundo antes de responder. Uma pausa calculada que confirmou os piores temores de Marco. Então, com o profissionalismo de quem já deu más notícias inúmeras vezes, posicionou uma série de imagens no negatoscópio contra a parede lateral. As radiografias e tomografias computadorizadas se iluminaram, revelando sombras e manchas que até mesmo o olhar inexperiente de Marco poderia identificar como anormais.
O médico apontou para várias áreas específicas com um laser vermelho, cujo ponto brilhante parecia marcar cada lugar onde a morte havia fincado sua bandeira. "Sinto muito, Marco. O câncer de pâncreas está no estágio quatro, já metastatizou para vários órgãos", explicou o médico, sua voz profissional mal disfarçando uma genuína compaixão. "As opções de tratamento neste momento são paliativas." Marco recebeu a notícia com uma calma surpreendente, até mesmo para si próprio. Era como se uma parte dele já soubesse, como se estivesse se preparando para este momento desde as primeiras dores que ignorou por meses, ocupado demais construindo um império que agora não teria tempo de desfrutar.
Seu rosto permaneceu impassível. Apenas um leve aperto nos lábios denunciava a tempestade emocional sob a superfície controlada. "Por quanto tempo?", perguntou ele, com a voz firme, olhando diretamente nos olhos do médico, como se desafiasse a morte a encará-lo. "Seja honesto comigo. Preciso colocar meus assuntos em ordem." O médico abaixou a caneta laser e voltou para a cadeira, sentando-se pesadamente. Havia certa admiração em seu olhar. A reação de Marco era rara entre seus pacientes. Sem negação, sem histeria, sem súplicas por milagres.
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