“Estou com tanto frio”, murmurou Iris, batendo os dentes. “Sinto falta do papai. Ele sempre sabia o que fazer.” Ao longe, além dos limites do parque, as sirenes continuavam seu lamento insistente. Pela janela de um carro que passava na avenida principal, elas podiam ouvir trechos de uma transmissão de rádio. Três meninas idênticas, de sete anos, órfãs fugitivas. Encontrem-nas, mas não as assustem. A busca se intensificava e o cerco se fechava ao redor delas. “Estamos quase lá”, incentivou Laya, embora seu próprio corpo tremesse de exaustão e frio — só mais um pouquinho.
Finalmente, depois do que pareceu uma eternidade caminhando sob a chuva incessante, avistaram o contorno familiar da casinha de brincar, uma pequena estrutura de madeira construída para se assemelhar a um chalé, com janelas coloridas e um telhado pontiagudo. Era menor do que se lembravam, mas naquele momento pareceu tão acolhedora quanto um palácio. Correram os últimos metros, quase tropeçando na pressa de alcançar aquele refúgio precário da tempestade. "Conseguimos", suspirou Isabel enquanto os três se espremiam dentro da casinha, o espaço apertado mal acomodando seus pequenos corpos.
“Pelo menos aqui estamos secas.” A casinha de brincar abafava parcialmente o som da chuva e das sirenes distantes, criando uma ilusão momentânea de segurança. Sentadas no chão de madeira, as trigêmeas se abraçavam, compartilhando o pouco calor corporal que lhes restava. Seus vestidos molhados grudavam desconfortavelmente na pele, e o frio começava a penetrar até os ossos, mas elas estavam juntas e, naquele momento, isso era tudo o que importava. “O que faremos amanhã?”, perguntou Iris, sua vozinha quase se perdendo no som da chuva batendo no telhado.
“Não podemos ficar aqui para sempre.” Era uma pergunta para a qual nenhuma delas tinha resposta. Meninas de sete anos, por mais determinadas e corajosas que fossem, não estavam preparadas para enfrentar o mundo sozinhas. Não tinham dinheiro, comida, nem um plano além de uma fuga imediata. A realidade começava a se impor, trazendo consigo dúvidas que nem mesmo uma promessa ao pai conseguiria dissipar facilmente. “Pensaremos nisso amanhã”, respondeu Laya, abraçando as irmãs com mais força.
“Agora precisamos descansar. Amanhã daremos um jeito.” As três se acomodaram como puderam no pequeno espaço, formando um pequeno círculo de proteção mútua contra o mundo exterior. Cada uma segurava seu fragmento do medalhão, o último presente do pai, como um talismã contra o desespero. A chuva continuava a cair implacavelmente lá fora, e sirenes ainda podiam ser ouvidas à distância, mas dentro daquele pequeno refúgio, elas haviam conquistado uma vitória temporária. “Prometa que nunca nos deixará, Laya”, implorou Iris, com os olhos pesados de exaustão, lutando para se manterem abertos.
Prometa-nos que estaremos sempre juntas, aconteça o que acontecer. Laya olhou para as irmãs, cópias perfeitas dela, mas únicas à sua maneira. Ela sentiu o peso da responsabilidade que assumira, mas também a força que vinha do amor que compartilhavam. Com uma convicção que ia além da sua idade, apertou as mãos das irmãs e repetiu as palavras que seriam o seu mantra nos dias difíceis que viriam. Prometo, em memória do nosso Pai.
“Nunca nos separaremos”, declarou Laya, com a voz firme apesar do frio cortante. “Juntos somos mais fortes, sempre seremos.” A promessa de Laya pairou no ar como um juramento sagrado. Os três adormeceram abraçados, o sono finalmente vencendo o medo e o frio. Durante toda a noite, a chuva continuou a cair implacavelmente, transformando as ruas em pequenos riachos e encharcando o parque ao redor de seu frágil abrigo. Os fragmentos do medalhão permaneceram firmemente agarrados em suas pequenas mãos, mesmo durante o sono, como se nem mesmo a inconsciência pudesse fazê-los esquecer a promessa feita ao Pai.
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