Quando cheguei à escola, fui direto para o meu armário. Girei a fechadura, abri a porta e peguei meu livro de história. Depois, fechei a porta.
E lá estava ele.
Caleb estava parado ao lado do meu armário, com as mãos nos bolsos, seu sorriso tranquilo de sempre suavizado, dando lugar a algo quase nervoso. A jaqueta de futebol americano, os olhos escuros, a imagem impossível dele parado bem ao meu lado.
Eu paralisei. O garoto mais popular da escola normalmente não parava no meu armário.
“Ei, Hannah”, disse ele. “Queria te perguntar uma coisa.”
"Sim?" Esperei, com o coração dando voltas e mais voltas no peito.
Você gostaria de ir ao baile de formatura comigo?
Encarei Caleb, convencida de que devia ter entendido errado. O barulho no corredor foi se dissipando, tornando-se um som abafado atrás dos meus ouvidos.
Você quer que eu vá ao baile de formatura com você?
Ele sorriu e encostou um ombro nos armários como se aquilo fosse completamente normal.
“Sim. Eu concordo.”
"Por quê?" A palavra saiu mais áspera do que eu pretendia. Meus dedos apertaram o caderno com mais força.
“Porque você sempre pareceu gentil, Hannah. E eu reparei em como as pessoas te tratam. Não está certo.”
Procurei em seu rosto alguma piada. Não consegui encontrar nenhuma, pelo menos não nenhuma que eu pudesse perceber.
"Está bem", sussurrei. "Está bem, sim."
Na hora do almoço, Megan quase deixou cair o sanduíche quando eu lhe disse isso.
“Hannah. Pessoas como o Caleb não tomam decisões assim do nada”, disse ela, baixando a voz. “Por favor. Tenha cuidado. Tem algo nisso que me parece… errado.”
Empurrei a bandeja para longe, repentinamente incapaz de comer.
Uma parte de mim sabia que ela poderia estar certa. Uma parte maior de mim desejava desesperadamente que ela estivesse errada.
Naquela tarde, fui ao banheiro do segundo andar para lavar o rosto com água. Brittany entrou logo atrás de mim, e seu perfume chegou antes dela.
“Então. Baile de formatura com Caleb.”
Não respondi. Mantive os olhos fixos na pia.
“Aproveite sua única noite, querido”, disse ela, com a voz transbordando mel. “Faça valer a pena.”
Ela sorriu para mim através do espelho e depois saiu.
Naquela noite, minha mãe chegou em casa com o mesmo cheiro da lanchonete onde trabalhava no segundo turno. Contei tudo para ela.
Ela sentou-se na beira da minha cama, pegou minha mão e ficou me olhando por um longo momento.
Você merece uma noite linda, meu bem.
“E se for uma brincadeira, mamãe?”
