Ivan estava deitado na cama, conectado a vários monitores e com um soro na veia. Sua pele, normalmente de tom saudável, estava acinzentada sob as luzes fluorescentes do hospital. Mas seus olhos, aqueles olhos que sempre transbordavam amor por suas filhas, ainda brilhavam quando elas entraram no quarto. "Minhas pequenas guerreiras", chamou Ivan fracamente, estendendo uma mão trêmula em direção a elas. "Cheguem mais perto. Preciso ver vocês com atenção." As meninas se aproximaram cautelosamente, assustadas com os tubos e máquinas, mas desesperadas pelo conforto que só o pai podia oferecer.
Eles subiram na beirada da cama, um de cada lado e um aos pés, formando um círculo protetor ao redor dele. Laya segurava a mão direita do Padre Isabel, a esquerda dele, enquanto Iris tocava delicadamente seus pés, cobertos pelo lençol do hospital. A enfermeira que ajustava os monitores trocou um olhar significativo com o médico que acabara de entrar, ambos reconhecendo a beleza e a tragédia da cena. "Você foi tão corajoso hoje. Estou muito orgulhoso de como você agiu", disse Ivan, cada palavra clara, embora tenha exigido um esforço tremendo.
“Vocês são a luz da minha vida. Sempre foram, desde o primeiro instante.” Os trigêmeos pressentiram que algo estava profundamente errado. Não era apenas a palidez do pai ou os equipamentos médicos ao redor; havia algo no ar, na maneira como os adultos evitavam olhar diretamente para eles, na forma como o pai falava, como se tentasse condensar uma vida inteira de amor em poucas frases. Isabel, sempre a mais perspicaz, foi a primeira a entender, e seus olhos se encheram de uma compreensão dolorosa demais para sua idade.
“Papai, você vai ficar bem logo, não vai?” perguntou Iris, ainda agarrada à esperança que as outras duas começavam a perder. “Vamos poder voltar para casa e brincar de médico de novo, né?” Ivan olhou para cada uma de suas filhas, memorizando cada traço, cada sardinha, cada fio de cabelo. Havia tanta coisa que ele queria lhes dizer, tantos conselhos que queria dar, tantas experiências que gostaria de compartilhar com elas ao longo dos anos. Como ele poderia explicar para duas meninas de sete anos que o tempo delas juntas estava chegando ao fim?
Como ele poderia prepará-los para um mundo que seria infinitamente mais difícil sem ele para protegê-los? Meus pequenos se lembram das histórias que conto sobre a mamãe. De como ela era corajosa e forte, mesmo quando estava com medo. Ivan respirou fundo, reunindo forças. Às vezes, mesmo quando amamos muito alguém, não conseguimos ficar juntos como gostaríamos. Mas o amor, o amor nunca acaba. Com as mãos trêmulas, Ivan enfiou a mão no bolso da camisa do hospital e tirou um medalhão de prata que sempre carregava consigo. Era uma das poucas lembranças tangíveis que tinha de sua falecida esposa.
Um presente que ela lhe dera antes do nascimento das trigêmeas. Dentro havia uma foto deles juntos, jovens e sorridentes, cheios de esperança para o futuro que planejavam com as filhas. Este medalhão é muito especial. Dentro dele estão as duas pessoas que mais as amaram e sempre as amarão. Aconteça o que acontecer, a mãe delas e eu, explicou Ivan, abrindo o medalhão para mostrar a fotografia. Agora quero que ele pertença a vocês três.
Com visível esforço, Ivan fechou o medalhão e, para surpresa das meninas, usou o resto de suas forças para quebrá-lo em três pedaços. O metal se partiu ao longo de linhas que pareciam destinadas a se separar, como se o objeto sempre tivesse sido feito para ser dividido. Cada fragmento continha uma parte da imagem incompleta por si só, mas quando reunidos aos outros, formavam a imagem completa para cada uma de vocês — uma parte deste medalhão.
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