Olhei para a multidão. Madison estava perto da mesa de ponche, seu sorriso desaparecendo lentamente. Brooke tinha dado um passo para trás, como se pudesse se fundir com a parede.
A voz de Steven ecoou calma e serena pela sala.
“Quero que todos olhem. Que olhem de verdade. Não para a Rosie. Mas para as pessoas atrás dela.”
Um murmúrio percorreu o ginásio.
“Durante dois anos”, continuou ele, “eu vi isso. Meus amigos viram isso. Nós dissemos para você parar. Pedimos educadamente. Pedimos grosseiramente. E você riu ainda mais.”
Tapei a boca com a mão.
“Então comecei a tirar fotos”, acrescentou Steven. “Sempre. Em todos os corredores. Em todos os refeitórios. Em cada piadinha cruel que você achava que ninguém via.”
O rosto de Madison tinha ficado da cor do papel.
"Aquele envelope que eu tenho hoje à noite", disse Steven, erguendo-o, "está etiquetado como 'Depois que eles riem'. Porque foi quando eu tirei a maioria dessas fotos. Depois. Quando eles pensaram que ela não podia mais vê-las."
Uma professora que estava perto da porta já se dirigia para o grupo de Madison.
Steven olhou para a multidão e depois diretamente para Rosie, que estava parada na beira da pista de dança com as mãos juntas à sua frente, confusa e imóvel.
"Rosie", disse ele suavemente, "sinto muito por não ter mostrado antes. Eu precisava que todos vissem ao mesmo tempo."
Senti que finalmente podia me mover. Meus colegas me deixaram passar sem dizer uma palavra. Caminhei lentamente até o pé da escada do palco, com a mão no peito.
Steven olhou para baixo e nossos olhares se encontraram. Ele acenou levemente com a cabeça.
Então eu entendi o que ele realmente quis dizer com seu sussurro: "Fique quieto pelo bem dela."
Não era uma ameaça.
