“Ela ficou bem na minha frente implorando para que eu não me casasse com você. E eu a chamei de ciumenta.”
O silêncio de Ryan foi suficiente.
Do outro lado da sala, vi meus pais também percebendo a terrível situação. Como tinham sido as últimas semanas de Claire. Ela tinha lidado com tudo sozinha porque todos nós nos acostumamos a não confiar nela quando a verdade vinha à tona, mesmo que de repente.
Minha irmã não guardava ressentimento.
Ela estava desesperada.
E ela continuava tentando me proteger.
Essa constatação doeu quase mais do que a traição de Ryan.
Ele se aproximou de mim. "Alice, por favor. O que eu sinto por você é real..."
Olhei para aquilo e imaginei minha irmã dirigindo na chuva, tentando chegar ao meu casamento antes que fosse tarde demais.
Peguei a mala que havia arrumado antes de ele chegar em casa.
A mãe dele começou a chorar. Minha mãe sussurrou meu nome. Ryan estendeu a mão para o meu braço, mas parou.
"Por favor, não vá embora assim", ela implorou.
Virei o rosto, não por ter dúvidas, mas porque alguns finais merecem contato visual.
“Você partiu o coração da minha irmã. Depois, ficou ao meu lado enquanto eu a enterrava e me fez acreditar que ela era o problema.”
Ele baixou o olhar.
Essa era toda a resposta que eu precisava.
Deixei.
Já se passaram três semanas. Estou morando num pequeno apartamento alugado, com louça de segunda mão e um colchão que range a cada vez que me viro. Ela já entrou com o pedido de divórcio. Algumas manhãs ainda acordo com saudade de uma vida que não existe mais, antes de me lembrar por que fui embora.
E também me lembro da minha irmã.
O jeito como ele perguntava: "Você já comeu?", como se fosse a única linguagem do amor que ele ousava expressar.
Claire passou seus últimos dias tentando proteger a irmã que ela nunca deixou de amar.
Gostaria de ter entendido isso antes. Mas agora entendo. E às vezes o amor chega tarde demais para salvar um único dia, mas cedo o suficiente para salvar o resto da sua vida.
