Por um breve instante, não fui gentil. Não senti orgulho. Eu era apenas uma viúva exausta contemplando mais um espaço vazio onde meu marido um dia estivera.
“Eli, isso pertencia ao seu pai.”
"Eu sei."
"Então por que você o daria de graça?"
"Havia uma mulher no ponto de ônibus", disse ela rapidamente. "Ela estava grávida, mãe. Muito grávida. Ela estava chorando, o casaco dela estava encharcado e ninguém a ajudava."
Eu só conseguia encará-lo.
"Então você também deu a sua jaqueta para ele?"
Ela olhou para a camisa úmida. "Ela também estava com frio. E tinha que se preocupar consigo mesma e com o bebê. Se eu ficasse doente, você faria uma sopa para mim e eu ficaria bem."
Levei os dedos à boca. Como eu ia conseguir continuar com raiva?
“Eli…”
"Eu não queria perdê-lo", disse ela. "Eu prometo. Mas papai sempre dizia que não se deve esperar para ajudar."
Aquelas palavras dissiparam toda a raiva que eu sentia.
Darren as dizia o tempo todo. Quando o carro de um vizinho não pegava. Quando alguém derrubava uma sacola de compras. Mesmo quando já estávamos atrasados.
“Não espere para ajudar quem precisa, Carina.”
Eu abracei Eli com força.
"Seu pai estaria orgulhoso de você", sussurrei.
Ele ficou parado. "Você está?"
Isso quase me destruiu.
