Com o tempo, comecei a visitá-lo mesmo quando não estava sendo paga. Eu levava biscoitos. Sentava-me com ele na varanda. Às vezes, conversávamos por horas. Outras vezes, simplesmente ouvíamos os pássaros voando entre as árvores.
A mentira desapareceu.
A conexão tornou-se real.
Eu não estava substituindo a neta dele.
Ele não estava substituindo meu avô.
Mas, de alguma forma, nos tornamos uma família.
Então, num domingo, cheguei e senti que algo estava diferente.
Walter parecia mais fraco. Sua respiração estava mais lenta. Sua voz tremia quando me cumprimentou.
"Você está bem?", perguntei a ele.
Ele deu uma risadinha.
“Envelhecer não é para covardes.”
Eu sorri, mas o medo me dominou.
Nos meses seguintes, sua saúde deteriorou-se rapidamente. As visitas ao hospital tornaram-se frequentes. Caminhar tornou-se difícil, depois impossível.
Mesmo assim, todos os domingos eu queria que ela estivesse lá.
Certa tarde, enquanto eu arrumava o cobertor para ele, ele pegou minha mão.
"Você sabe de alguma coisa?", disse ele em voz baixa.
-Que?
—Você mudou meus últimos anos.
Meus olhos se encheram de lágrimas.
"Não, Walter", sussurrei. "Você trocou o meu."
Ela sorriu.
Nenhum dos dois precisou dizer mais nada.
