Eu era paga para fingir ser neta de um veterano cego todos os domingos, mas depois de seu falecimento, seu último desejo mudou minha vida para sempre.

PARTE 1
Eu tinha vinte e dois anos, estava exausto e desesperado quando aceitei o emprego mais estranho da minha vida.

Durante o dia, eu frequentava as aulas na universidade. À noite, repunha as prateleiras de um supermercado. Cada momento livre eu dedicava a ajudar minha mãe a cuidar do meu irmão mais novo, Noah.

Noah tinha apenas quatorze anos, mas os hospitais já faziam parte de sua infância. Seus tratamentos custavam mais do que podíamos pagar, e cada conta parecia mais pesada que a anterior.

Minha mãe nunca reclamou. Ela trabalhava em turnos duplos como auxiliar de enfermagem e ainda sorria sempre que Noah estava com medo.

Mas eu vi a verdade.

Vi as contas atrasadas em cima da mesa da cozinha. Vi-a chorar silenciosamente depois da meia-noite. Vi o medo que ela tentava esconder de nós dois.

Em uma quinta-feira chuvosa, chegou mais uma conta do hospital.

Minha mãe ficou olhando para ele por um longo tempo, depois o dobrou e o colocou embaixo dos outros.

Naquela noite, pesquisei na internet todos os tipos de trabalhos temporários que consegui encontrar.

Passear com cães. Dar aulas particulares. Limpar casas.

Então, um anúncio chamou minha atenção.

"Procura-se uma jovem de 20 a 25 anos para passar os domingos com um senhor idoso cego. Bom salário. Necessária disponibilidade para fazer companhia à família."

A princípio, pensei que fosse um golpe.

Então li mais.

A neta do veterano não o visitava mais. Sua família queria que ele se sentisse amado em seus últimos anos. A pessoa contratada fingiria ser a neta.

Achei que estava errado.

Quase cruel.