PARTE 1
Eu visitava o túmulo da minha filha todos os domingos, me culpando pela noite em que não a busquei. Então, o zelador do cemitério me contou que outra mulher tinha ido visitá-lo com margaridas amarelas e sussurrou desculpas. Pensei que sabia como Maya tinha morrido.
Eu estava errado.
Durante um mês, levei rosas brancas todos os domingos porque a florista disse que eram “apropriadas”.
Maya teria odiado isso.
Minha filha de dezessete anos adorava margaridas amarelas, esmalte descascado e calças jeans manchadas de tinta.
Mas Maya se foi antes que eu pudesse lhe levar flores em mais um aniversário. Se foi antes da formatura. Se foi antes da carta de bolsa de estudos com que ela tanto sonhava.
E ela se foi antes que eu pudesse retirar a última coisa que lhe disse.
Naquela noite, ela ligou e pediu que eu a buscasse porque estava cansada e com medo de dirigir na tempestade.
Eu estava exausta após mais uma discussão entre Maya e seu pai.
"Ligue para o seu pai", eu disse a ela. "Chega de ser árbitro hoje à noite."
Duas horas depois, policiais bateram à nossa porta.
Disseram que dois carros colidiram perto da ponte.
Nenhum sobrevivente.
O agente funerário recomendou um caixão fechado.
Os policiais disseram que seria mais gentil dessa forma.
Então, todos os domingos, eu me ajoelhava ao lado do túmulo de Maya e repetia as mesmas palavras.
“Desculpe, querida. Eu deveria ter vindo te buscar.”
Meu marido, Jordan, me acompanhou duas vezes.
Então ele parou.
“Isso não é saudável, Jackie”, disse ele numa manhã de domingo. “Você não pode continuar fazendo isso.”
“Ela é minha filha.”
“Então pare de se desmoronar todo fim de semana.”
Naquele dia, no cemitério, a chuva encharcou meu casaco enquanto eu colocava rosas ao lado de sua lápide.
"Maya", sussurrei. "Me desculpe."
Atrás de mim, as botas raspavam no cascalho.
“Senhora?”
Virei-me e vi Otis, o zelador do cemitério.
Ele olhou para as flores e depois para mim.
"Posso te perguntar uma coisa?"
Assenti com a cabeça.
“A mulher que visita sua filha todas as quintas-feiras sempre traz margaridas amarelas”, disse ele. “Ela diz que Maya gostava delas.”
Meu estômago se contraiu.
“Que mulher?”
“A mulher loira. SUV escuro. Chega de manhã cedo.”
“Ninguém mais visita Maya.”
Otis hesitou.
“Sim, senhora. Ela faz.”
“O que ela diz?”
Seu semblante ficou sério.
“Ela pede desculpas.”
Meu sangue gelou.
“Por que um estranho pediria desculpas à minha filha?”
Otis baixou a voz.
“Porque acho que você não sabe toda a verdade sobre o que aconteceu.”
E, de repente, tudo em que eu acreditava sobre a morte de Maya começou a ruir.
