PARTE 2
Na quinta-feira seguinte, esperei perto da entrada do cemitério.
Às 8h06, um SUV escuro passou pelos portões.
Uma mulher loira saiu carregando margaridas amarelas.
Antes que ela chegasse ao túmulo de Maya, eu a detive.
“São para a minha filha?”
Ela paralisou.
"Sim."
"Quem é você?"
“Meu nome é Katherine.”
“Isso não significa nada para mim.”
Seus olhos se encheram de lágrimas.
“Minha filha se chamava Sadie.”
O nome me atingiu como um balde de água gelada.
Sadie era a garota que estava no outro carro.
A garota que todos culpavam pelo acidente.
A garota, segundo relatos, estava apostando corrida com Maya em meio à tempestade.
"Vá embora", eu disse.
“Por favor, Jackie.”
“Você não tem o direito de usar meu nome.”
“Eu sei. Mas Sadie falou de você antes de morrer.”
Eu parei.
"O que?"
"Ela sobreviveu até a manhã seguinte", sussurrou Katherine. "Ela me contou o que realmente aconteceu."
Eu fiquei olhando para ela.
“As meninas não estavam competindo.”
Quase ri.
“Que conveniente.”
“É verdade. Sadie se encontrou com Maya para se desculpar por ter espalhado boatos sobre seu portfólio de arte. Ela queria que Maya aceitasse a bolsa de estudos porque sabia que Maya a merecia.”
Meu coração disparou.
“Então por que eles estavam lá fora?”
“A tempestade piorou. Os dois estavam saindo quando Maya recebeu um telefonema.”
“De quem?”
Os olhos de Katherine se encheram de lágrimas.
“Seu marido.”
Prendi a respiração.
"Não."
“Sadie disse que Maya atendeu e começou a chorar. Ela repetia: 'Papai, por favor, não esta noite'. Então, correu para o carro.”
Katherine enfiou a mão no casaco e me entregou um caderno de desenho preto.
Caderno de esboços de Maya.
“O hospital me entregou por engano junto com os pertences da Sadie”, disse ela. “Sinto muito.”
Eu abri.
Dentro havia desenhos da nossa família.
Notas.
Pensamentos.
Uma dor que eu nem sabia que ela carregava.
Uma página mostrava-me em pé junto à pia da cozinha.
Embaixo, Maya havia escrito:
Mãe tentando não chorar.
Outra página dizia:
Meu pai diz que os artistas se tornam um fardo. Minha mãe diz que ele só se preocupa.
Então virei outra página.
E encontrei a frase que me despedaçou.
Eu gostaria que a mãe parasse de tentar fazê-lo parecer mais gentil do que ele é.
Naquela tarde, fui à escola de Maya.
A professora de arte dela confirmou tudo.
Maya era a principal candidata a uma bolsa de estudos de prestígio.
Ela estava apavorada em contar ao pai porque ele havia ameaçado retirar o apoio financeiro caso ela escolhesse a arte.
De repente, a história que eu vinha repetindo há um mês deixou de fazer sentido.
E, pela primeira vez, comecei a fazer perguntas sobre a ligação telefônica de seis minutos que Jordan fez naquela noite.
