Voltei da cama de outra mulher às 4h17 da manhã e encontrei uma placa de "VENDIDO" no meu jardim da frente.

PARTE 4 — O HOMEM QUE USAVA MEU ROSTO

Chegamos a St. Agnes em sete minutos.

Deveria ter levado dezoito.

O motorista do meu pai dirigia como um homem a quem haviam prometido riqueza ou absolvição. Viaturas policiais nos seguiam sem sirenes, com SUVs pretas logo atrás. Richard sentou-se ao meu lado, falando rapidamente em dois telefones. O detetive Harris ia na frente, com o maxilar cerrado, a arma já em punho, mas mantida baixa.

Eu não rezei.

Nunca me tinham ensinado como fazer isso.

Mas quando a capela surgiu à vista através da neblina — pedra cinzenta, uma torre estreita, um antigo cemitério que descia em direção à água — ouvi Hannah respirando pelo meu telefone e fiz promessas a qualquer pessoa que pudesse estar ouvindo.

Levem o dinheiro. Levem a empresa. Levem meu nome. Só deixem eles vivos.

"Hannah", sussurrei. "Você ainda está aí?"

Não houve resposta.

Apenas silêncio.

Então Noé começou a chorar.

O som me atravessou.

Os SUVs pararam abruptamente.

O detetive Harris se virou. "Você permanece no veículo."

Mesmo assim, abri a porta.

Richard pegou meu casaco. "Daniel."

Eu olhei para ele.

Seja lá o que ele viu no meu rosto, fez com que me soltasse.

As portas da capela estavam entreabertas.

Lá dentro, o santuário cheirava a poeira, cera de vela e madeira envelhecida. A luz da manhã vazava pelos vitrais em cores fragmentadas, o vermelho e o azul espalhando-se pelo chão de pedra como feridas. Os bancos estavam vazios. Velas tremeluziam perto do altar.

“Hannah!” eu chamei.

Ouviu-se um grito vindo do lado direito.

A sacristia.

O detetive Lane foi o primeiro a se mover, com a arma em punho. Harris o seguiu. Eu estava atrás deles antes que alguém pudesse me impedir.

A porta da sacristia estava aberta.

Hannah estava lá dentro, abraçando Noah contra o peito. Seu cabelo estava solto, seu rosto pálido e uma das bochechas marcada por lágrimas. Ela vestia calça jeans, um suéter preto e o mesmo casaco de lã cinza que eu lhe dera três Natais atrás.

Por um breve instante, ela olhou para mim não como um marido, não como um inimigo, não como o homem que havia partido seu coração.

Ela olhou para mim como se eu fosse o pai de Noé.

“Daniel”, ela sussurrou.

Dei um passo em direção a ela.

Então alguém atrás de mim disse: "Cuidado".

Eu me virei.

Ele estava de pé perto do altar, segurando Olivia Bennett à sua frente com um braço em volta do pescoço dela e uma pequena pistola preta pressionada sob seu queixo.

A cena paralisou todos dentro da capela.

Ele vestiu meu terno azul-marinho.

Minha camisa branca.

Meu relógio.

Meu corte de cabelo.

E quase o meu rosto.