Passei a noite num albergue modesto perto de uma estação de trem, ouvindo o som dos trens passando enquanto a dor reavivava cada lembrança que eu tinha dela. O sono veio lentamente, mais por exaustão do que por paz.
Na manhã seguinte, sentei-me num pequeno café do outro lado da rua, observando o mundo seguir seu curso como se nada tivesse mudado. As pessoas riam, os ônibus passavam e a vida continuava com uma indiferença que me pareceu quase cruel.
Peguei meu telefone e liguei para meu advogado.
“Preciso rever a estrutura da empresa”, disse calmamente. “É hora de Christopher se lembrar de algo importante.”
Uma semana depois, Christopher recebeu uma ligação que mudou completamente sua perspectiva de vida. O escritório de advocacia o informou que o acionista majoritário necessário para a aprovação da reestruturação era eu, Richard Turner, com 84% das ações.
O pânico substituiu sua confiança enquanto ela revisava contratos que havia assinado anos atrás sem lhes dar a devida atenção. Tudo estava documentado, claro e juridicamente vinculativo.
Ele me ligou naquela mesma tarde.
“Richard”, disse ela, com a voz trêmula. “Precisamos conversar.”
Nos encontramos em um pequeno escritório acima de uma padaria, um lugar neutro onde nenhuma lembrança pudesse interferir. Quando cheguei, ela parecia diferente; sua compostura havia desaparecido, substituída por exaustão e medo.
“Eu estava sob pressão”, disse ele. “Cometi erros.”
—O estresse revela quem somos — respondi calmamente.
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