Duas noites depois, encontrei Ed sentado na garagem com as luzes apagadas.
“O que você está fazendo aqui fora, querida?”
"Pensando", disse ele, enxugando o rosto.
“Sobre o quê?”
Ele olhou para o chão. "Estou sendo observado."
O celular dele vibrou e ele o virou antes que eu pudesse ver a tela.
Os papéis do divórcio chegaram numa quinta-feira.
Ele entrou na cozinha vestindo o suéter azul que Susan lhe dera de presente de Natal. Seu rosto parecia abatido.
“Precisamos conversar”, disse ele.
“Então fale enquanto eu mexo a comida.”
“Marilyn.”
Eu me virei.
Ele deslizou uma pilha de papéis pela ilha da cozinha.
A princípio, não entendi. Minha mente se recusava a ler as palavras: “Petição. Dissolução. Casamento.”
“Ed, o que diabos é isso?”
“Quero o divórcio.”
A colher escorregou da minha mão.
"Não."
"Desculpe."
“Você não tem o direito de pedir desculpas assim, do jeito que você esbarrou no meu carrinho no supermercado. De onde você tirou isso?”
Ele encarou os papéis. "Me apaixonei por outra pessoa."
Eu ri uma vez porque a frase era feia demais para entrar no meu corpo de qualquer outra forma.
“Quarenta e dois anos, Ed. Quatro filhos. Seis netos. E você quer que eu acredite que encontrou uma nova vida entre as sessões na esteira?”
"Eu tenho."
“Quem é ela?”
Ele engoliu em seco. "Meu treinador."
"Qual o nome dela?"
