Dentro havia um diário preenchido inteiramente com a caligrafia de Lily.
Ela escreveu sobre consultas médicas, dias em que se sentia mais fraca e sobre como conseguia ver o medo no meu rosto, mesmo quando eu tentava escondê-lo.
"Ela sabia..." sussurrei.
Judy assentiu silenciosamente.
Lily também havia escrito sobre mim.
Sobre como eu insistia que tudo ficaria bem. Sobre como eu me recusava a encarar a verdade porque não conseguiria sobreviver a ela.
"Lily não queria que eu desmoronasse..." sussurrei, com a voz embargada.
Foi aí que perdi o controle novamente.
Virei-me e enterrei o rosto no ombro de Judy, soluçando mais forte do que nas últimas semanas.
E pela primeira vez desde a morte de Lily…
Parei de tentar guardar tudo para mim.
Não sei por quanto tempo Judy me segurou.
Ela nunca me apressou. Simplesmente ficou ali, firme e paciente, deixando-me chorar de um jeito que eu não me permitia desde que perdi Lily. Por fim, me afastei e enxuguei o rosto.
Então, de repente, me ocorreu algo.
“Ju… como você sabia em qual depósito vir?” perguntei lentamente. “Eu nunca te dei o endereço.”
Ela hesitou antes de suspirar suavemente.
“Você levou um tempo”, disse ela com um leve sorriso. “Eu ajudei a Lily a organizar tudo isso durante meses. Ela insistiu.”
Eu fiquei olhando para ela.
Você sabia?
